O fabuloso (e perigoso) mundo da e-arquitetura

Eu pensei muito antes de fazer esse post. Não, ele não é sobre arquitetura, mas sobre um comportamento social, quase que doentio que tenho observado há algum tempo nas redes sociais.

É fato que o mundo digital nos abriu portas para um conhecimento absurdo. Pessoas do mundo inteiro se conectam o tempo todo, das mais diversas formas. E isso é maravilhoso. Nunca fomos tão conectados. Nunca tivemos tanto material e informação a nossa disposição. E isso não é ótimo?! Então, deixa eu te contar uma coisa? Depende e muito.

Esses dias estava contando para a Bela e para a Ana, que fazem parte do time da Morada 31.12, como era na minha época da faculdade quando precisávamos de uma informação. Primeiro a gente procurava os professores (era o mais rápido e confiável – eles estudaram e se dedicaram para aquilo). Depois, íamos à biblioteca. Sim! Biblioteca, aquele lugar gigante (no meu caso, que fiz UnB, um prédio lindo projetado pelo Galbinski, o que já era uma aula por si só) com várias publicações de autoridades nos mais diversos assuntos. Eu lembro a emoção que foi comprar um “Neufert“, aquele grossão (galera “das antigas” vai lembrar) e a tristeza do dia que me roubaram ele. O verdadeiro dicionário da arquitetura. E claro, as revistas técnicas, publicações com projetos dos melhores arquitetos do mundo. Quem conseguia assinar uma AU, era realmente um privilegiado… tempos difíceis?! Saudosismo? Não, e explico:

Hoje, como a maioria das pessoas busca essas informações? Pasmem: segundo o IBGE, cerca de 94,2% dos brasileiros usam a internet como forma única de pesquisa. E sabem qual o problema disso? Apesar de o ambiente digital ter muita coisa boa, tem muita coisa errada e ruim também. Hoje, todo mundo se acha autoridade. Fico assustada com a quantidade de e-books, e-cursos, e-coaches e sei lá mais quantos “e-produtos e “e-serviços” sendo ofertados por pessoas que nem sequer tem experiência para vender algo. E sabem o que é pior?! Nós compramos! Nós consumimos! Sem nem ao menos nos darmos ao trabalho de pesquisar sobre aquela pessoa que está lá nos oferecendo esse material. E digo nós, porque eu mesma já “caí no conto do vigário”.

Conhecimento é a fonte maior de poder que alguém pode ter e, saber pesquisar, se informar antes de aceitar fórmulas prontas, pode ser uma boa estratégia para não ser enganado. Não se iluda, bons profissionais possuem métodos comprovados pelo seu tempo de atuação. Em todas as áreas. Inclusive e, sobretudo, na arquitetura.

Chega de pílulas mágicas. Tenha paciência, ser referência e ter embasamento leva muito tempo, energia e dedicação. Por menos oferta de material fácil e barato. Por mais procura de conhecimento verdadeiro e crescimento através do trabalho.

Outro dia ouvi que sucesso só vem antes de trabalho no dicionário. É a mais pura verdade.

09/01/20 | Arquitetura, Tendências, Tecnologia